Anti-blog

Dizia-se, há algum tempo, que uma anti-propaganda funcionava melhor, muitas vezes, que seu desavesso.

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De mais verões

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Noites mornas, de um vento broxa

Meu gozo explode em sua boca

Que sabe a rocha

Há quanto tempo nós dois rimamos

Sexo sem nexo complexo novelo

Não vela o chão, não vale o pão

Minha rosa murcha no jardim

Você sobre mim desaguando um mundo

Desigual, cheio de fome, lixo e miséria

Quanto tempo custa a passar assim

Até que você me venha sem mim?

Até que, sem filhos, herdeiros, substância

Eu ponha a mão nas suas loas, única possível herança?

Tudo em que creio, o que você creditou em conta

Foram reminiscências, fugazes lembranças,

Pensões, vagas, meretrizes

Foram umas indecências, vorazes crianças

Paixões, magras, atrizes

Serão elas, espero sem certeza, a engolir Cronos

A tirá-lo do trono e vomitar

De mim, sem surpresa, o uivo,

a fera presa; meus incontáveis ais.

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Amada Sampa

Sempre Sampa

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I.

Mais que qualquer casal bodas de ouro, mais que prata e mercúrio no dente: duas datas – uma em janeiro, outra em maio – e nós nos ligamos pra sempre.

Não, não tem jeito, esteja eu cá ou acolá. Este dia será sempre feriado no meu peito. Festa, solenidade, reverência, paixão, saudade, nem sei direito.

Amada. Mil vezes amada, adorada, eterna e minha. Sampa querida. Meu solo, meu destino, legado, memória minha. Gravada na pele, nas rugas, nas fotos da gente, ainda pequenininha.

II.

Amor meu [clipe – Vânia Bastos, “Paulista”, de Eduardo Gudin]

Sampa é de todos e de ninguém. Por sorte ou sina, nasci no bairro da Liberdade. E assim livre sou sua, pertenço às suas pedras, às suas ruas. Pertenço à sua gente, às suas favelas, aos seus imigrantes, seus nordestinos. Pertenço ao sorriso e à raiva daquelas moças e dos meninos. Sou dos ônibus lotados, dos carros parados, da desistência de usar a buzina. Pertenço ao tempo em que se andava de madrugada por ruas desertas e a gente nem tinha medo. À Avenida Paulista interditada pela passeata dos moços, deitados em pleno asfalto. E quase não tinha carro importado pra passar por cima. Tampouco bicicleta ou ciclovia. E tudo o que a gente não via também estava lá. São mais de quatro séculos e meio. E você respira vitalidade. E alegria.

III.

céu azul, prédios azuis

Um dia me travesti de “céu azul de Sampa” pra conversar no chat. E descobri que tem gente – acreditem – que acredita cegamente que em Sampa nunca tem céu azul. Eu ri. Porque o azul de Sampa é mais azul que o melhor azul de um lugar limpo e sem luz artificial. Porque Sampa, quando está azul, brilha e pulsa e vibra e lateja mais que o frenesi cotidiano, tão decantado por quem não vive ali. Não sabe de seu azul, do por do sol da zona oeste, de suas nuvens, seus cinzas, seus cafés, seus feriados e livrarias, do cinema, dos botecos. Do café da manhã na padaria, lendo o jornal e encontrando por acaso o vizinho que é artista ou arquivista e você não sabia. E segue Sampa, que Sampa tem de tudo. E segue Sampa, que Sampa nos dá de tudo. Só que, dona de si, do seu corpo e sua vontade, ela não se derrama. Sampa não é espalhafatosa, apenas espalhada. E nos espelha, a todos que quisermos. Como quisermos, quando quisermos. Deixando-nos, a todos, com a cara dela.

Vambora? [clipe de “Amanhecendo” (Sinfonia Paulistana), do Billy Blanco]

IV.

Municipal

Sampa, te amo.

Meu norte, minha vela, meu prumo,

porção enorme do meu inventário.

Sem você, cosmópole, eu sumo.

E não será assim, de longe, que vou contar nossas mazelas.

Hoje é seu, o aniversário.

Páteo do Colégio e 460 anos
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Dois anos depois…

… um post aqui publicado (“Cracolândia”. Qual?) volta a ser procurado e lido. Muito provavelmente por causa do título e pela atual movimentação em torno do assunto.

O crack é uma droga, em muitos sentidos. Existem muitas outras drogas e muitas delas são usadas por gente que se acha acima de qualquer suspeita. Inclusive que se acha acima da suspeita de que seja um dependente de drogas. Mas, então, o que dizer das ritalinas, dos êxodus, das fluoxetinas, dos paracetamois e dipironas, dos descongestionadores nasais e das nicotinas? Dos rivotris e tegretois, dos dormonides, serenus e toda a corja?

Bem, só vim aqui pra dizer que o cara em que votei, no final do mesmo ano em que me indignei com as balas de borracha no corpo e na alma dos já frágeis dependentes de crack, foi eleito. E, desde então, resolveu escutar as pessoas envolvidas diretamente na situação dos habitantes daquele planeta imaginário, muito mencionado pelos que lá nunca foram: a “Cracolândia”. Escutou dependentes e trabalhadores sociais os mais diversos, que atuam nesse campo. E, então, algo novo aconteceu. Está acontecendo: dignidade e respeito, no lugar de bala de borracha e desprezo.

Daí, só queria fazer umas perguntinhas pra quem acha que pode esticar o dedo, confortável e estrategicamente posicionado atrás de um monitor ou diante da tela de seu gadget predileto, para criticar aquilo que os políticos de sua preferência ideológica nunca fizeram quando podiam – e deviam – ter feito e para falar daquilo que bem possivelmente não entende, nem quer entender.

Quem quiser que responda. Ou que comente, lá no lugar dos comentários. Vou gostar de ler. Lá vai:

1) Que tipo de tratamento você prefere receber, se for o alvo da intervenção do poder público? Justifique sua escolha.

a) Prefere ser tratado com respeito e dignidade, receber proposta de trabalho, roupas, remuneração e tratamento médico ou

b) Acha melhor ser tratado com desprezo, aviltes e balas de borracha (ou de fogo, se bobear)?

2) Você acredita haver situações que justificam tratar cidadãos de maneira desrespeitosa?

a) Sim. (Justifique sua escolha)

b) Não. (Justifique sua escolha)

c) Em termos (Explique os motivos)

d) Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. (JUSTIFIQUE SUA ESCOLHA)

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De destinos, helenas e natais

 

Fosse apenas um nome.

Um personagem sem rosto. Sem voz.

Talvez uma ficção, um ideal de eu.

Um projeto de ser.

Um medo. Ou assombração.

Um incompreensível segredo.

Um caudaloso rio, de Oxum.

Um penetrante corte, de Ogum.

Fosse somente o tempo.

O espaço virtual. A eletrizante novela.

O calabouço da espera.

Fosse a mentira, a quimera.

Fosse o retorno da vela.

Ulisses. Penélope. O fio.

De Ariadne, o touro.

Fosse a voragem de Cronos.

O raio e o falo de Zeus.

Mas não.

 

Foi só uma frágil textura.

Nas mãos de Moira, escura.

Orestes antes de Atena.

Tróia antes do fim.

Morte em pleno palco.

Corte abrupto de cena.

Godot se rindo de mim.

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Carta ao Papai Noel

Querido Papai Noel,

Eu sei que o senhor não vai vir pra mim. Talvez nem receba minha cartinha (mesmo sob pressão, mamãe nunca me confessou o seu endereço…). 

Mesmo eu sendo menor que muita criança, nos menos de metro e meio que tenho de altura. Mesmo eu ainda me sentindo, como outros amigos e amigas, uma eterna criança. Alguns têm até um nome pra isso – uma coisa que lembra a palavra pueril… (quem quiser bisbilhotar mais a respeito, põe o dedo aqui).

Mesmo tendo um monte de gente falando de uma tal Criança Interior… ops! Vai ver que é por isso. O senhor é velhinho, não é? Deve ser difícil enxergar isso, lá dentro…

Não importa, Papai Noel.

Eu só queria dizer pra você que eu queria ganhar presente, também, pra poder ser feliz que nem eu vejo outras crianças da minha idade serem.

Então, eu queria, Papai Noel, que o senhor me trouxesse (vou falar rápido pra você não assustar):

umsmartphonecomacessoàinternetaofacebookeaotwitter,

umtabletmuitoiradocomjogosemilfuncionalidadesquepodematéincluirlivros

e umcarronovocomfreiosabsarcondicionadoeomelhorsistemadesompossível.

Agora, meu bom velhinho, se o senhor não puder trazer esses presentes que eu pedi (papai já disse que essas coisas são só futilidades e vão passar quando inventarem futilidades mais modernas), então ao menos me manda um duende invisível pra me ajudar a lavar o carro velho, fazer funcionar meu kindle que não quer ler pptx e não deixar a bateria do celu morrer?

Nem vou me despedir, Papai Noel, porque você nem vai ligar. Você não existe, mesmo! 

 

Deixe seu comentário, ali embaixo, se quiser.

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A LONGA LUTA CONTRA A HOMOFOBIA

Por DIOGO COSTA

Parte da sociedade brasileira tem discutido exaustivamente a questão da homofobia nos últimos anos. É um debate que acende inflamadas e antagônicas posições. Há também uma árdua batalha que a comunidade LGBT trava há décadas em favor do fim da discriminação em razão da orientação sexual das pessoas. Os setores mais decididamente contrários à criminalização da homofobia no Brasil são oriundos dos meios religiosos, de variadas confissões cristãs, o que não chega a surpreender. No mundo inteiro as resistências mais fortes encontram-se nos meios religiosos.

A luta pela concretização das demandas contra a homofobia ganha importante destaque atualmente através do debate travado sobre o PLC 122, que visa a garantia dos direitos humanos fundamentais para a comunidade LGBT. Esta longa luta político-legislativa iniciou em 07 de agosto de 2001, quando a então deputada federal Iara Bernardi, do Partido dos Trabalhadores de São Paulo, apresentou o projeto de lei nº 5003/2001. Entre novembro de 2001, quando o projeto iniciou a tramitação na CCJC (Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania), e abril de 2005, o projeto teve três relatores que analisaram a matéria e devolveram o projeto à Comissão sem apresentar nenhum parecer.

Foram eles (os relatores da época) os deputados federais Bispo Rodrigues (PL-RJ), em novembro de 2001, Bonifácio Andrada (PSDB-MG), em junho de 2003 e o então deputado federal Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), em abril de 2004. Quase um ano depois, em 17 de março de 2005, a relatoria passou a ser feita pelo deputado federal Luciano Zica, do Partido dos Trabalhadores de São Paulo. Em pouco mais de um mês (26 de abril de 2005), e após vencer a paralisia de três relatores que nada fizeram, o deputado federal Luciano Zica (PT-SP) apresenta o parecer final, favorável à constitucionalidade do projeto de Iara Bernardi (PT-SP).

Em agosto de 2005 a CCJC finalmente aprova o parecer do deputado federal Luciano Zica (PT-SP) e a matéria segue para o plenário da casa. Em novembro de 2006 o projeto é aprovado pela Câmara dos Deputados e em dezembro do mesmo ano é encaminhado para a apreciação no Senado. Ali nascia o atual PLC 122. Ainda em dezembro de 2006 a Mesa Diretora do Senado encaminha o PLC 122 para a CDH (Comissão de Direitos Humanos). Após passar pela Comissão de Direitos Humanos, seria preciso encaminhar a matéria para a CCJ, antes da apreciação em plenário.

Em fevereiro de 2007 é designada a relatoria do projeto, que fica com a Senadora Fátima Cleide, do Partido dos Trabalhadores de Rondônia. No mês seguinte a então Senadora Fátima Cleide (PT-RO) apresenta relatório favorável à constitucionalidade do projeto. A pedido de outros parlamentares a relatora retirou a apresentação do parecer para permitir a realização de uma audiência pública sobre o tema, que se realizou em maio de 2007. Em outubro de 2007 a Senadora Fátima Cleide (PT-RO) reapresenta seu parecer favorável mas não houve votação por falta de quórum.

Numa manobra protelatória, feita em dezembro de 2007, a Mesa Diretora do Senado decidiu que o projeto deveria passar também pela análise da CAS (Comissão de Assuntos Sociais). O PLC 122 então saiu da CDH sem ter sido votado e passou a tramitar na CAS. A Senadora Fátima Cleide (PT-RO) torna-se novamente a relatora da matéria, agora na CAS, e em março de 2008 apresenta parecer favorável ao PLC 122. Um pedido de vista coletivo impediu a votação do parecer. Outros pedidos de vista, votos em separado, emendas e falta de acordo de lideranças impediram a apreciação do PLC 122 no ano de 2008.

No início de 2009 a Senadora Fátima Cleide (PT-RO) reapresenta o seu parecer e as manobras protelatórias (uma infinidade de fúteis requerimentos) seguem a pleno vapor. Para driblar as manobras, a relatora apresenta um novo parecer, com algumas modificações, em outubro de 2009. Finalmente o parecer favorável é aprovado na CAS em novembro de 2009 e retorna para a análise na Comissão de Direitos Humanos. No início de 2010 mais uma vez os contrários ao PLC 122, que perderam a batalha na CAS, voltam a carga na CDH. Apresentam inúmeros requerimentos e solicitações de audiência públicas, em manobra explicitamente protelatória, visando adiar ao máximo a apreciação da matéria.

E é preciso nominar quais foram os maiores inimigos da causa LGBT no Senado. Estes sempre foram e continuam sendo os Senadores Marcelo Crivella, do PRB do Rio de Janeiro, e o Senador Magno Malta, do PR do Espírito Santo. Eles é que sempre lideraram as manobras protelatórias.

Foi-se o ano de 2010, permeado pelo processo eleitoral nacional, e o PLC 122 mais uma vez ficou na gaveta… No início de 2011 o PLC 122 foi arquivado e prontamente desarquivado pela Senadora Marta Suplicy, do Partido dos Trabalhadores de São Paulo (infelizmente a guerreira Senadora Fátima Cleide – PT de Rondônia – não conseguiu se reeleger no pleito de 2010). Marta Suplicy, conhecidíssima defensora da causa LGBT, trabalha incansavelmente para construir um acordo de lideranças que permitisse a apreciação do PLC 122, mas as manobras cada vez mais radicalizadas dos contrários a matéria impedem o avanço do trâmite na CDH.

Em setembro de 2012 Marta Suplicy assume o Ministério da Cultura e em função disso tem que abandonar a relatoria da matéria. Em dezembro de 2012 o Senador Paulo Paim, do Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul, assume a relatoria do projeto na CDH. Nem é preciso falar sobre o compromisso do Senador Paulo Paim com as causas dos trabalhadores do campo e da cidade, dos aposentados e pensionistas, da comunidade negra, das mulheres e de outras várias minorias… E desde dezembro de 2012 que o lobby teocrático impede de todas as formas o avanço do PLC 122 no Senado Federal, repetindo todos os tipos de manobras já referidas.

Notem que nem mesmo a mudança do texto que veio da Câmara dos Deputados, já tentada pelas antigas relatoras Fátima Cleide (PT-RO) e Marta Suplicy (PT-SP), bem como as alterações propostas pelo atual relator, Paulo Paim (PT-RS), tem sido capazes de vencer a barreira das trevas que contamina o Senado. Sinceramente (e espero estar enganado), não vejo como o PLC 122 possa ser votado antes do pleito de 2014, repetindo o que houve em 2010. E isto é revoltante! Mas é preciso por os pingos nos is para que não se perca o foco dessa importante disputa. Existem alguns setores do movimento LGBT que lamentavelmente fazem um trabalho de pouca valia a respeito do PLC 122. E porque o fazem?

O fazem porque resolveram enveredar pelo discurso do anti petismo radicalizado. Atribuem ao Partido dos Trabalhadores todos os males da história da humanidade e toda a culpa pela não aprovação do PLC 122! Ora, basta que se analise o histórico desta longa batalha legislativa, iniciada ainda no ano de 2001, para perceber que o PT tem sido o partido ponta de lança nesta campanha pela criminalização da homofobia. Quem não compreender isto não consegue compreender nem quanto é dois mais dois! É completamente contraproducente esta insidiosa campanha que minúsculos mas barulhentos setores do movimento LGBT movem contra o PT. Ao contrário, deveriam exaltar a luta que esta agremiação tem empreendido há quase 13 anos em favor da matéria!

Ao tomarem este caminho da radicalização contra o PT, e do sofisma puro e simples (quando não da própria mentira sobre a tramitação histórica do projeto), estes grupúsculos LGBT apenas se isolam cada vez mais e miram nos alvos errados. É preciso dizer com todas as letras e nomear quem são os contrários ao PLC 122, e dentre estes não se encontram os parlamentares do PT (salvo raras exceções que o partido sempre soube centralizar), muito antes pelo contrário. Aliás, o Partido dos Trabalhadores tem posicionamento de longa data a favor dos direitos das minorias, quem não percebe isto vive no mundo da lua. E se percebe e omite tal fato, pior ainda, pois a desonestidade intelectual não contribui em nada para causas diversas, sejam elas quais forem.

Pelo jeito a longa luta contra a homofobia vai continuar durante um bom tempo, possivelmente ultrapassará o pleito de 2014. Mas isto não deve ser motivo de desânimo, mas sim de indignação e de confiança no futuro. Neste futuro (que espero que venha o quanto antes) não haverá espaço para o obscurantismo que por ora infelicita o parlamento e a sociedade brasileira pelas mãos e mentes de retrógrados pastores do atraso, do preconceito e da discriminação. A luta continua.

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A propósito de hoje

Aos que vão ficar juntos, fisicamente.

Aos que vão sentir mais saudade neste dia.

Aos que acham insuportável a derrama de mensagens no Face, na televisão, nas bancas de jornal.

Aos que acham que não têm e aos que dizem isso de outrém, embora todos o tenhamos – mesmo sem seu nome em nossos registros civis, mesmo que nunca o tenhamos sabido/conhecido.

Aos que se lembram mais, aos que se lembram menos dos momentos em que éramos pequenos e ele, tão grande.

Aos que se sentiram amados; aos que se sentiram abandonados; aos que desejaram sua partida; aos que ansiavam por sua volta; aos que o esperavam na porta, aos que quase nunca o viam.

Aos que esperam que homens que põem filhos no mundo desejem viver esse tipo de relação.

Aos que só querem saber de sua, quando existente, grana.

Aos que só precisavam de um abraço, um olhar, uma palavra. Aos que provaram desse gosto bom.

Aos que tiveram medo dele e aos que tiveram pena. Aos que, indiferentes, não puderam vê-lo fazendo a diferença em sua vida.

A todos nós, que às vezes nem sabemos dizer a ele que o amamos. Ou que o odiamos. Mas que o trazemos conosco, indelevelmente.

Feliz Dia dos Pais.

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Do Livro de Receitas da Tia Lili

Você acordou mais tarde, pretende fazer faxinão na casa e não quer se preocupar com a hora do almoço… você precisa de um bom desjejum, meu/minha amigo/a!

Por isso, aí vai minha contribuição:

OVOS À LILI DAUBIAN

Ingredientes:

– 3 ovos caipiras, da tia Marly (se não tiver os da tia Marly, serve de outra tia. Se não tiver tia, serve de qualquer uma. Se não forem caipiras, pode ser só dois ovos de sobremercado, mesmo, dos grandes);
– um pouco de Becel (se vc ainda usa margarina, problema seu) ou manteiga de verdade;
– uma pitada de sal marinho (se você tem dedos muito grandes ou gordos, meia pitada já tá bão);
– aceto balsâmico (só umas gotinhas, porque é meio carinho) ou molho inglês (mas pega um bão, muquirana!);
– manjericão e orégano (só uma pitadinha)
– uns pedacinhos de queijo fresco da fazenda, tipo os da fazenda da Cristina Lerosa;
– uns quatro ou cinco tomates grape (ou outro que não seja ácido e não esteja verde).
– uma colher de sobremesa de azeite (extra-virgem, prensado a frio, meu bem, larga de ser sovina!)

Modo de fazer:

Na frigideira, você unta (não besunta, minha filha!) um pouco de manteiga ou becel ou margarina (problema seu). Evite quebrar os ovos direto na frigi, porque se quebrar um ovo que estragou, já viu a meleca, né?

– coloque os ovos e o sal, mexa (não é pra misturar toda a gema e toda clara, a não ser que você goste de omelete) e coloque o queijo, o tomate picado, pra sair aquele caldinho e, por último, tempere. Ponha primeiro o azeite, depois os temperos secos e, por fim, as gotinhas de aceto balsâmico (gotinhas, viu?) ou molho inglês dos bão.

Vai ficar bem mais escuro que aqueles ovos mexidos super sem-graça que você come no café da manhã dos Ibis da vida, mas fica dilicioso!

A porção dá pra uma pessoa, mas dá pra dividir, se tiver outros itens no café da manhã, certo?

Pode acompanhar com um suco natural/light e uma ou duas fatias, no máximo, de pão integral com um pouquito de maionese light.

Agora, se você não gosta de ovo… te arrumo outra receita, qualquer hora, tá?

Assinado: Tia Lili

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Dia de mães e de filhos

Vou reproduzir o que postei no Facebook, há pouco. 

Porque não terei tempo de editar nada. 

Vou encontrar a minha mãe. Almoçar com ela. Mimá-la. 

Ela gosta, eu também. 

E a gente se sente presa e parte dessa imensa e invisível teia que chamamos de cultura.

 

Diz-se que ser mãe só é possível às mulheres, mas que maternar é possível a qualquer um. 

Penso nos meus amigos e amigas e familiares que passarão o dia de hoje com suas mães. 
E nos meus amigos e amigas e familiares que também passarão o dia de hoje com suas mães – presentes na lembrança, gravadas indelevelmente na memória afetiva. 

E nos que, não tendo conhecido suas mães, são injustamente chamados de sem mãe, pelaí. O que é bem pior do que ser chamado de filho da mãe.

E nas mulheres que perderam seus filhos. 

Um viva a todas as mulheres que deram/darão à luz, um dia. E a todas – e todos – as que maternam/maternaram, pela estrada da vida afora!!!

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