Amada Sampa

Sempre Sampa

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I.

Mais que qualquer casal bodas de ouro, mais que prata e mercúrio no dente: duas datas – uma em janeiro, outra em maio – e nós nos ligamos pra sempre.

Não, não tem jeito, esteja eu cá ou acolá. Este dia será sempre feriado no meu peito. Festa, solenidade, reverência, paixão, saudade, nem sei direito.

Amada. Mil vezes amada, adorada, eterna e minha. Sampa querida. Meu solo, meu destino, legado, memória minha. Gravada na pele, nas rugas, nas fotos da gente, ainda pequenininha.

II.

Amor meu [clipe – Vânia Bastos, “Paulista”, de Eduardo Gudin]

Sampa é de todos e de ninguém. Por sorte ou sina, nasci no bairro da Liberdade. E assim livre sou sua, pertenço às suas pedras, às suas ruas. Pertenço à sua gente, às suas favelas, aos seus imigrantes, seus nordestinos. Pertenço ao sorriso e à raiva daquelas moças e dos meninos. Sou dos ônibus lotados, dos carros parados, da desistência de usar a buzina. Pertenço ao tempo em que se andava de madrugada por ruas desertas e a gente nem tinha medo. À Avenida Paulista interditada pela passeata dos moços, deitados em pleno asfalto. E quase não tinha carro importado pra passar por cima. Tampouco bicicleta ou ciclovia. E tudo o que a gente não via também estava lá. São mais de quatro séculos e meio. E você respira vitalidade. E alegria.

III.

céu azul, prédios azuis

Um dia me travesti de “céu azul de Sampa” pra conversar no chat. E descobri que tem gente – acreditem – que acredita cegamente que em Sampa nunca tem céu azul. Eu ri. Porque o azul de Sampa é mais azul que o melhor azul de um lugar limpo e sem luz artificial. Porque Sampa, quando está azul, brilha e pulsa e vibra e lateja mais que o frenesi cotidiano, tão decantado por quem não vive ali. Não sabe de seu azul, do por do sol da zona oeste, de suas nuvens, seus cinzas, seus cafés, seus feriados e livrarias, do cinema, dos botecos. Do café da manhã na padaria, lendo o jornal e encontrando por acaso o vizinho que é artista ou arquivista e você não sabia. E segue Sampa, que Sampa tem de tudo. E segue Sampa, que Sampa nos dá de tudo. Só que, dona de si, do seu corpo e sua vontade, ela não se derrama. Sampa não é espalhafatosa, apenas espalhada. E nos espelha, a todos que quisermos. Como quisermos, quando quisermos. Deixando-nos, a todos, com a cara dela.

Vambora? [clipe de “Amanhecendo” (Sinfonia Paulistana), do Billy Blanco]

IV.

Municipal

Sampa, te amo.

Meu norte, minha vela, meu prumo,

porção enorme do meu inventário.

Sem você, cosmópole, eu sumo.

E não será assim, de longe, que vou contar nossas mazelas.

Hoje é seu, o aniversário.

Páteo do Colégio e 460 anos
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Sobre lifega

Ande um pouco comigo, antes de me perguntar quem sou.
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