De destinos, helenas e natais

 

Fosse apenas um nome.

Um personagem sem rosto. Sem voz.

Talvez uma ficção, um ideal de eu.

Um projeto de ser.

Um medo. Ou assombração.

Um incompreensível segredo.

Um caudaloso rio, de Oxum.

Um penetrante corte, de Ogum.

Fosse somente o tempo.

O espaço virtual. A eletrizante novela.

O calabouço da espera.

Fosse a mentira, a quimera.

Fosse o retorno da vela.

Ulisses. Penélope. O fio.

De Ariadne, o touro.

Fosse a voragem de Cronos.

O raio e o falo de Zeus.

Mas não.

 

Foi só uma frágil textura.

Nas mãos de Moira, escura.

Orestes antes de Atena.

Tróia antes do fim.

Morte em pleno palco.

Corte abrupto de cena.

Godot se rindo de mim.

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Sobre lifega

Ande um pouco comigo, antes de me perguntar quem sou.
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2 respostas para De destinos, helenas e natais

  1. ainda lembra de mim, dra? 🙂 lindo demais esse poema! beijos de feliz 2014.

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