Revoltinha

Uns dizem que amor é chama. Outros, convictos, que amor é cama. Tem os que juram até que é lama.

Tanto se me faz.

É que se o amor me chegasse pela manhã; se me pegasse, distraída, dobrando a esquina; se me assaltasse com sua pistola automática na testa; se pusesse as mãos na cintura querendo me ensinar o kuduro; se convidasse prum chá e bolachas ou derramasse seus impropérios; não saberia, bem sei, o que fazer.

O amor, esse velho doente e inseguro, pulou o muro de trás, fugiu pelos telhados, foi parar na beira do cais, mudou-se para além-mar e, Cupido ao contrário, vem vez em quando me visitar; lamparina acesa, sem óleo ou gás. Não fala seu nome, não pisa em falso, não deixa rastros, sequer o perfume. Bem sei que é ele, porque deixa pistas, pra despistar. Bem que era bom reaprendesse a falar.

Mas, se falasse, que língua de homens diria que não o quero de jeito nenhum, a não ser que fosse para lavar, passar e cozinhar; me deixar dormir no seu colo, envelhecer sem modéstia, olhando a chuva, escutando o congo, a tv, o bem-te-vi e a puta que o pariu do vizinho, coisa chata e blá blá blá?!?

Ora, se me faz.

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Sobre lifega

Ande um pouco comigo, antes de me perguntar quem sou.
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