Dias de mulheres

Li um post, ainda há pouco, bem legal. (Se você quiser lê-lo, antes de prosseguir, clique aqui, porque o meu não é assim tão… sério). Comentando sobre um texto infeliz de uma moça (infeliz?) que, pelo jeito, acha que não deve nada a ninguém. Sequer ao feminismo.

De minha parte – talvez porque já não moça – eu devo, sim. Não como dívida. Mas como reconhecimento.

Primeiro, porque não é fácil “ser mulher”. Principalmente porque minha percepção básica de mim me parece prescindir dessa coisa de gênero. Só depois é que ela (a percepção, gente!) vem cobrando, exigindo, brigando, me fazendo engolir essa maluquice de que o homem isso, a mulher aquilo. 

E também porque o chão lógico, cronológico, emocional e intelectual (pra dizer o mínimo) em que hoje sou mulher não existe desde sempre. Foi conquistado, a dura penas, por mulheres, muitas delas. E está sempre por reconquistar.

Ainda há muitas dessas duras penas por enfrentar – novas ou reinventadas ou recicladas, inclusive pelo discurso que exalta a suposta existência de uma suposta alma feminina – para que a gente possa “ser mulher” sem ter que aturar a discurseira toda que tenta definir “a essência da alma feminina”. Falação disparada, quem sabe, pelo mero fato de haver machos e fêmeas em uma espécie que não consegue entender a razão de conseguir ter consciência de seu existir. E, pior, de seu fenecer.

Alma feminina… E eu, que nem consigo ter certeza de que existam almas! A não ser as penadas. Ai, que preguiça que dá precisar brigar por direitos óbvios, que sequer deveriam estar em pauta. Ai, que preguiça que dá existir em um tempo de tanto intelectualismo sem passado. Portanto, sem condição de se sentir em dívida. Nem capaz, pelo jeito, de algum reconhecimento. Afinal, que interessa o que fizeram os outros? O que pensaram? O que escreveram? Quanto sangue, suor e lágrimas derramaram, pra que estivéssemos aqui, falando entre nós sobre o que é ser ou não ser mulher?

Eis a questão.

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Sobre lifega

Ande um pouco comigo, antes de me perguntar quem sou.
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