Os tempos são outros

Ninguém parece escapar da sina de, um dia, falar “no meu tempo, isso era diferente”.

Lia, há pouco, comentários de amigos saudosos dos tempos que vivemos, em meio a tanta música brasileira boa, boa mesmo. Em que não só ouvíamos Elis, mas a víamos na TV, nos shows, nas revistas.

Não, não vou me estender, falando de quanta coisa víamos, líamos, ouvíamos, fazíamos, éramos.

Mas fiquei a pensar.

Acho que há algo que não combina, nessa coisa de falar que “no meu tempo, isso; no meu tempo, aquilo…”. Não combina mais. Nosso tempo é um tempo outro. Um tempo em que passado, presente e futuro, espaços geográficos e circunstâncias se misturam, sem a menor cerimônia.

Não dá pra supor que o menino de 15 anos conheça menos Deep Purple que eu. Ou que a fã incondicional de Maria Rita tenha noção do que foi e é, para quem é fã de Elis, te-la ouvido cantar, pela primeira vez, lá com o padrinho Milton.

As coisas mudaram; a forma de nos situarmos, nos referenciarmos, se modificaram; os tempos são, decididamente, outros.

Não somos mais os mesmos. Nem vivemos como nossos pais.

Como nossos pais, isso sim, temos aprendido a mudar, a acomodar mudanças, a aceitar a mudança dos ventos, das marés, das formas sociais, dos modos de (nos) interpretarmos nossa espécie.

E isso não é pouco.

Se isso muda? Não sei. No meu tempo não me falaram sobre isso.

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Sobre lifega

Ande um pouco comigo, antes de me perguntar quem sou.
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