Redes e doenças sociais

Em um mundo tão cheio de coisas, tão cheio de gentes, tão cheio de formas de essas gentes estarem em contato, é claro que se está rodeado de modinhas. Pessoalmente, tendo a pensar que o poder da repetição – como já postularam importantes pensadores que não vou citar aqui, porque hoje é sábado, eu tou com pressa e com preguiça (beijomeliga) – mega super aumenta o poder da crença. Alienada, é claro.

Da mesma forma, acredito que a saúde mental das gentes é proporcional à sua capacidade de fazer da reflexão e da troca de ideias um hábito constante. Não há outro jeito. A contrapartida é oferecer-se à imolação do juízo de valor alheio – raramente coincidente com o nosso próprio. Mas, quando é isso o que nos pauta a vida… então a doença já está lá, ora.

Mas, vejamos. O artigo abaixo, que li há pouco, eu achei muito bonzinho:

“Não pire nas redes sociais”

Só tem uma coisa. Acho que sou contracorrente, total. Porque não acredito, em absoluto, nessa tal antissocialidade que a vida virtual nos lega. Como se o estar pele com pele, cheiro com cheiro, voz com voz, olho com olho garantisse algo, nos fizesse mais sociais/iáveis. As pessoas mais esquisitas e adoecidas que conheço no dia a dia das peles e dos cheiros e dos olhos e das vozes e do cotidinianão, mesmo, mal usam a internet. E, quando usam, continuam a ser as pessoas mais esquisitas e adoecidas que conheço.

Tenho amigos e amores puramente virtuais. E não vejo um pingo de piração nisso. Como disse, um dia, uma analista que conheci no sentido estrito – ou seja, do ponto de (não) vista do divã: – “Ninguém fica louco só porque resolveu ficar”. É fato. Ninguém pira só porque quer. No mínimo, tem que fazer uma forcinha e receber uma ajudazinha. Essa, não está necessariamente materializada na tela de um computador ligado e conectado à internet. Está é nas cabeças das gentes. Nos nãos das gentes que veem o sofrimento e passam ao largo dele. Que vibram e gozam com a autoimolação pública de uns teimosos que não se sentem muito à vontade com as modinhas. O computador ligado, vamos combinar, até acelera. Mas o que nos conta, tudo isso, se não que somos as gentes que nos fazemos mais doentes ou mais sãos? Antes, não esqueçamos, era o rádio. Depois era a TV. Foi até o carro. Agora é a internet. Futuramente será o quê? Será o benedito? Ou o que já foi no começo, dizem as más línguas, adaptado: o tacape nuclear? (Virtual, claro, pra atingir qualquer um, sem discriminação de raça, cor, credo, religião).

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Sobre lifega

Ande um pouco comigo, antes de me perguntar quem sou.
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Uma resposta para Redes e doenças sociais

  1. Roseli Silva disse:

    Como sempre, um texto bem-humorado e inteligente! Adorei! Escreva mais! Beijos

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