De silêncios, sumiços e anonimatos

Ainda era 2010, a última vez que publiquei algo aqui. Foi para desejar um 2011 bacana, na medida do que dá pra ser bacana.

Estive sumida, depois disso, com muito trabalho e problemas de conexão. Hoje, a situação parcialmente equacionada (pouco trabalho é uma utopia que a gente faz questão de alimentar), vim dar uma visitada na minha persona blogueira.

Eis que, para minha surpresa, o blog continua a ser lido, independente de sua “dona”! Isso me pareceu um bom sinal. Bom sinal, sobretudo, porque a finalidade deste blog é de, justamente, ser útil e, de algum modo, fazer pensar. Por outro lado, a ausência quase completa de comentários sobre os posts sugere que – à parte os que chegam aqui sem tê-lo escolhido, por conta dos googles da vida – a maior parte dos leitores que, por razões próprias, usam seu tempo para conhecer o blog, prefere ficar anônima. Ou parecer invisível.

Nada contra, que fique claro! Uma das razões pelas quais ainda curto viver em São Paulo é a de poder entrar em um táxi, por exemplo, falar a abobrinha que quiser, até contar coisas da minha vida que nem sempre conto aos amigos e saber que, se for lembrada, sê-lo-ei como “uma mulher”, “uma passageira”, algo assim. Uma anônima a mais.

Mas como especular faz parte da atividade de quem se arvorou a fazer o que faço (tento)… fico matutando a razão de ter tantos leitores silenciosos. É bem possível que, não concordando com o que escrevo, não desejem se comprometer em emitir seu juízo. Talvez não queiram emitir suas opiniões em público. Ou, simplesmente, não gostaram, acharam babaca e nunca vão dizer isso alto e bom som, muito menos escrever. Ou, vai ver, têm medo de me magoar… ou de me enfurecer. Ou de serem retaliados… ou… Xi, isso vai longe.

Queria mesmo era dizer que o anonimato pode ser legal. Porque pode ser uma escolha. Tudo bem que ele não garanta eliminar nossas pegadas. O “estive aqui” virtual é inevitável. Até por segurança, há mecanismos que identificam quem esteve onde, na rede. Essa pegadas virtuais que deixamos, “denunciam” nossa presença, nossa estada em algum site, algum lugar da internet. Assim como na vida fora do computador, deixamos nossas marcas, afirmamos nossa existência, ainda que de forma sutil. Da importância à paranoia, podemos mesmo produzir efeitos de impacto nos interessados em nossa opinião – caso nos demos ou não a conhecer – quando visitamos um site, lemos um post, compartilhamos um link.

Mas é bom lembrar que anonimato não é sinônimo de invisibilidade.

O que são outros quinhentos.

Anúncios

Sobre lifega

Ande um pouco comigo, antes de me perguntar quem sou.
Esse post foi publicado em Blá blá blá, Miscelânea e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s