É possível ser ético nesse mundinho virtual?

Tomei conhecimento, há pouco, de um caso que estaria “bombando” no Youtube e nos TT’s do Twitter, envolvendo uma pessoa que afirma ser diagnosticada como esquizofrênica e que apresenta várias demandas e/ou queixas em relação a empresas que estariam agindo de má-fé com internautas que jogam dois ou três jogos típicos de redes sociais; no caso, o Orkut.

Ela está se sentindo lesada – muito além de monetária ou moralmente, pelo que compreendi. E dá seu testemunho no seu perfil do Twitter, nos vídeos do Youtube e nas comunidades e perfil do Orkut. Tudo isso com a participação e o incentivo do marido, o responsável pelas gravações em vídeo que, depois, são postadas na internet, via Youtube, ou similares. 

Expõe-se o casal, assim, a comentários de toda natureza (geralmente bem pouco sensatos). Mas não parecem ter clara a dimensão da situação. Algo falha, em termos da percepção crítica que, usualmente se espera de quem vive em sociedade, seja ela especular ou espetacular. O que dá no mesmo fim de túnel… pós-moderno, diriam alguns. Eu arriscaria: caducamente moderno. (*)

 Mas o que me incomodou, de fato, nesse algo que falha, não proveio do casal que, sim, pode ser considerado bizarro, por sua maneira tão singular de procurar ser visto e ouvido, valendo-se dos recursos midiáticos da hora. O que me incomodou não foram os muitos comentários ensandecidos dos que se julgam “normais” e capazes de determinar que o mundo foi feito à sua imagem e semelhança e que, por isso, sentem-se totalmente à vontade para postar comentários e respostas que beiram o discurso, esse sim, delirante. Frases mal construídas, erros gramaticais crassos, expressões chulas, ofensas de toda ordem… este costuma ser o arsenal predileto (ou talvez único) dessa “turma”.

Incomodou-me toda essa celeuma a envolver alguém que, por mais que o alarde possa sugerir uma encenação fake, dá mostras de adoecimento psíquico e, mais: de sofrimento, por conta disso. E mais me incomodou – e incomoda – o fato de ter tomado conhecimento de tudo isso a partir da replicação de uma mensagem, no Twitter, de alguém que se diz profissional de comunicação.

Não é a primeira vez que leio/assisto essa jornalista se envolver em discussões em que o que parece que está em jogo é a defesa de suas próprias opiniões, a qualquer custo. Não é a primeira vez que fico com a impressão de que, da parte dessa profissional presente na mídia há tanto tempo, não há nenhuma possibilidade de respeito à diferença, aos dramas humanos.

Aquilo que poderia ser uma ocasião de debate, de reflexão, de esclarecimento, parece se converter em mais uma oportunidade para produzir espetáculos em que o protagonismo se desloca daquele ou daquela que era o assunto para aquela mesma de sempre que comenta. E que diz que não tem nada a ver com isso, quando o bicho pega pro lado dela.  

Esta parece ser a ética que rege tais relações. “Você e seu drama são importantes para mim na medida em que, com isso, consigo aparecer e permanecer visível, socialmente. Seu drama e você passam. Eu permaneço. Você não ganha nada, além de efêmera notoriedade. Eu ganho dinheiro.”

Por razões óbvias, por vontade própria e pela ética profissional a que me submeto de bom grado, omiti – propositada, intencional e enfaticamente – os nomes das pessoas a quem me refiro. Espero que os que se sentirem encuriosados com o caso saibam proteger o que – ainda – pertence à esfera do que se considera pessoal e intransferível. Uma coisa chamada dignidade. Sofrimento algum, de espécie alguma, pode nos privar de nosso direito ao respeito e à dignidade. Especialmente quando dependemos dos outros para que isso aconteça.

(*) Um dia, pretendo lançar um livro-bomba, analisando a Modernidade-Caduca-E-Nada-Líquida-Em-Que-Vivemos. Alguém que queira prefaciar? 
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Sobre lifega

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Uma resposta para É possível ser ético nesse mundinho virtual?

  1. adeuscafofo disse:

    Eu topo!

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