Confessional

Conversando com uma pessoa cujo ombro, nesse momento, está sendo muito maior do que imaginávamos, li que “às vezes, o caos orienta a gente”. E é só isso. Lágrimas não rolam para sempre, they dry on their own. Carrego muitas lembranças, bem recentes; espero que as boas é que queiram me fazer companhia. Das ruins sofrerei. Inevitavelmente. Afinal, o coração não sofre de alzheimer.

“Eu pensei que tinha o mundo em minhas mãos, como um deus…

e amanheço mortal”. (Dudu Falcão – O Silêncio das Estrelas)

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A propósito desse estranho tempo,

lá vai um versinho bem atual:

 

DEDICATÓRIA

Era uma vez agora.

E nunca houve um tempo tão distante.

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A propósito de hoje

Post de três anos atrás, meus votos permanecem os mesmos.

Você já foi no blog dela?

Aos que vão ficar juntos, fisicamente.

Aos que vão sentir mais saudade neste dia.

Aos que acham insuportável a derrama de mensagens no Face, na televisão, nas bancas de jornal.

Aos que acham que não têm e aos que dizem isso de outrém, embora todos o tenhamos – mesmo sem seu nome em nossos registros civis, mesmo que nunca o tenhamos sabido/conhecido.

Aos que se lembram mais, aos que se lembram menos dos momentos em que éramos pequenos e ele, tão grande.

Aos que se sentiram amados; aos que se sentiram abandonados; aos que desejaram sua partida; aos que ansiavam por sua volta; aos que o esperavam na porta, aos que quase nunca o viam.

Aos que esperam que homens que põem filhos no mundo desejem viver esse tipo de relação.

Aos que só querem saber de sua, quando existente, grana.

Aos que só precisavam de um abraço, um olhar…

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Da cozinha douda da Tia Lili

Panqueca de microondas da Tia Lili – sem glúten

Bananas que já passaram do ponto, descascadas e fatiadas, vão ao microondas por 4 minutos, em uma forma refratária baixa e redonda (que nem a Tia Lili).
Quebre um ovo batido levemente e acrescente um copo americano de leite (sem lactose).
Misture com duas colheres rasas de farinha de arroz.
Leve ao microondas por 5 minutos. Espere esfriar um pouco, pra não queimar a língua e os beiço, coitada da Tia Lili.
Sirva com canela em pó. Se quiser, coma com um pouquinho de geléia de umbu, deliciosa.
Pronto!
Um baita lanche bom, energético e cheio de sustança prum dia cinza e frio como hoje!!! Dá pra duas ou dois gulosas/os.

P.S.: Não, num tem foto, pq já comi metade

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MAGIA NEGRA.

Há muito venho aguardando o momento oportuno.

Para que não restem dúvidas.

Ei-lo.

Compartilho este belo poema – concepção, também a minha, do que seja magia NEGRA.

 

MAGIA NEGRA

Magia negra era o Pelé jogando, Cartola compondo, Milton cantando.
Magia negra é o poema de Castro Alves e o samba de Jovelina…
Magia negra é Djavan, Emicida, Racionais MC´s, Thalma de Freitas, Simonal.
Magia negra é Drogba, Fela kuti,
Magia negra é dona Edith recitando poesia no Sarau da Cooperifa. Carolina de Jesus é pura magia negra. Garrincha tinhas 2 pernas mágicas e negras. James Brow e Milton Santos é pura magia.
Não posso ouvir a palavra magia negra que me transformo num dragão.
Michael Jackson e Michael Jordan é magia negra.
Cafu, Milton Gonçalves, Dona Ivone Lara, Jeferson De, Robinho, Daiane dos Santos é magia negra.
Magia Malê Luísa Mahin Calafate.
Fabiana Cozza, Machado de Assis, James Baldwin, Alice Walker, Nelson Mandela, Tupac, isso é o que chamo de escura magia.
Magia negra é Malcon X. Martin Luther King, Mussum, Zumbi dos Palmares, João Antônio, Candeia e Paulinho da Viola. Usain Bolt, Elza Soares, Sarah Vaughan, Billy Holliday, Nina Simone é magia mais do que negra.
Eu faço magia negra quando danço Fundo de quintal e Bob Marley.
Cruz e Souza, Zózimo, Spike Lee, tudo é magia negra neles. Umoja, Espirito de Zumbi, Afro Koteban…
É mestre Bimba, é Vai-Vai é Mangueira, todas as escolas transformando quartas-feira de cinzas em alegria de primeira.
Magia negra é Sabotage, MV Bill, Anderson Silva e Solano trindade.
Ondjaki, Ana Paula Tavares, João Mello… Magia negra.
Magia negra são os brancos que são solidários na luta contra o racismo.
Magia negra é o RAP, O Samba, o Blues, o Rock, Hip Hop de Africabambaataa.
Magia negra é magia que não acaba mais.

É isso e mais um monte de gente que é magia negra.

O resto é feitiço racista.

Sérgio Vaz

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Um sonho de verdade

Sonhei, esta noite, que era mãe. No sonho, me recordava do tempo em que estava grávida. E da sensação de ter uma intimidade absoluta com aquele a quem abriguei no interior do meu corpo. E da impressão desejante de que, mesmo tendo ganhado vida própria, aquele ser tinha que ser um pedaço de mim. Mesmo sabendo que a mudança era tão grande que jamais seria possível trazê-lo de volta ao útero.

Sonhei, esta noite que era mãe. E que meu filho, de vida estranha e tão diferente de mim, já não fazia parte do meu cotidiano. Não era o que sonhei pra ele. Não realizava nenhum de meus desejos, todos insatisfeitos.

Sonhei, esta noite, agorinha mesmo, que era mãe de um filho que, na verdade, nunca tive. Sonhei com uma gravidez que jamais experimentei de fato. Mas que em alguns momentos da minha vida representou quase tudo o que eu mais queria.
Fiquei imaginando como imensa renúncia a escolha de cada mulher que deixa partir, desde o útero, o filho que dá à luz. Pois que ninguém, imagino, imagina dar filhos à escuridão. Nem impedir suas idas e vindas.

Sonhei, esta noite, que era mãe. Pela primeira vez sonhei assim o que não sou. Desconheço se as sensações, as impressões, as percepções que me trouxe o sonho são plausíveis.
Mas hoje eu sonhei que era mãe. Mulher que sou, acho que agora sei como é. Mulheres que somos, havia de haver ao menos um dia pra celebrar tantos medos, tanta beleza e tanto mistério.

Feliz Dia de Ser Mãe!

[texto publicado originalmente no Facebook, em 10.05.2015]
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Os números de 2014

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 960 vezes em 2014. Se fosse um bonde, eram precisas 16 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

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Sobre o dia de hoje deste ano de agora

Eu tenho um pai. 

E muitos outros. 

Sou filha, afinal.

E muitas outras.

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Dias de passagens

Se quisermos, vivemos dias bastante especiais nessa época de celebração religiosa.

São dias de silêncio. De introspecção.  De música sacra da maior qualidade; música atemporal.

Dias de saudade. De expectativas. De ficar junto, ou de se isolar.

Dias de repensar a vida. De renovar, de reciclar.

De descansar.

De comer chocolate e, talvez, ir à missa, ao culto, à ilê.

Ou de nada disso.

Nada disso, se for isso o que queremos.

De minha parte, optei pela nada mística experiência de renovar meu espaço doméstico.

Viajar e me divertir. Sozinha e sem sair de casa.

Com isso, reinventar a vida. A cotidiana, que – se a gente permitir – vai se tornando a mais chata de todas.

Assim, morrer e ressuscitar.

Da inércia,  do desânimo,  da mesmice.

E não é que tá sendo bom?

Então,  boa Páscoa,  Pessach,  Passagem.

Atravessei o mar morto. Porque, sobretudo, estou viva.

No melhor lugar do mundo: aqui, agora.

Como cantou o Gil; como disse o Osho; como quis Javé, quando, dizem, criou tudo o que existe.

 

 

 

 

 

 

 

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Minha querida amiga,

Do seu sorriso.

De nossas conversas sobre política; de que sentávamos lado a lado pra trabalhar; de que trocávamos impressões sobre nossos atendimentos e relatórios; das vezes em que te dei carona até sua cidade; da sua letra; dos termos e expressões que aprendi a usar com você; da sua presença calma, silenciosa e tão forte.

Do seu olhar. Do seu estojo marrom, do seu bom gosto pra se vestir, da sua elegância; da sua vaidade sem peruíce; do seu amor pelo povo; da sua sensibilidade; da sua determinação e bravura pra lutar contra qualquer injustiça; da sua presença amorosa, solidária e cuidadosa, naquelas vezes em que desabei na sua frente. Da sua confiança em compartilhar comigo algumas de suas preocupações; da sua voz.

Das suas expressões faciais, inequívocas. De quando eu chegava mais cedo e ia junto almoçar com você e nossas colegas; de quando você usou aquela peruca que achei linda; de quando você decidiu abolir a peruca; de quando você voltou das férias em Minas, radiante e renovada; de quando participamos juntas do Seminário, logo que te conheci; do como você estava contente com seu cabelo voltando a crescer.

Do seu jeito de parar, esperando a gente adivinhar alguma coisa. De como eu gostei de você, desde o primeiro dia; do quanto você me tratou bem e com tanta atenção que parecia que eu era a pessoa mais especial do universo; de quanta afinidade descobri ter contigo; do como você às vezes parava pra pensar e pesar as palavras que iria dizer; do cuidado como você as dizia; das coisas engraçadas e do seu fino humor.

Da sua amorosidade. Dos abraços trocados quando férias ou momentos de ausência prolongados, porque no dia a dia o bom dia estava de muito bom tamanho; das discussões que você conseguia que não descambassem pro embate infrutífero; do seu guarda-chuva. De você rindo e me ensinando a enrolar os fios emaranhados dos gadgets que eu inventava trazer todos na bolsa.

Da sua exuberância contida. De nós cantando Clara Nunes, você me corrigindo pedaços inteiros da letra; sua voz afinada e bonita; seu sorriso comovido em situações em que compartilhávamos ternura, amizade, afeto, amor, companheirismo. De tantas coisas, tantos momentos, tantas cenas…

Lembro de tudo e sempre vou lembrar, Fran.

Franzinha. Francisca.

Nossa mineira guerreira, grande companheira. Sua partida ainda é muito recente pra que a gente consiga guardar no peito tantas lembranças, tanta saudade, sem extravasar um rio de lágrimas. Mas tenho a certeza de que, assim como na minha, a sua chegada na vida de cada pessoa que te conheceu foi um acontecimento, um evento. Solene, grandioso, rico de sentidos e de humanidade. E cheio de humana intimidade. Pois foi assim que você viveu sua vida e quem te conheceu sabe muito bem disso. Disciplinadamente coerente com seus princípios, suas crenças; com o que valorizava. Solidária. Atenta, antenada. Solícita. Forte. Personalidade marcante. Presente. Necessária. A rigor: indispensável.

Talvez eu devesse ter-me feito mais próxima e presente na sua vida, nos últimos tempos, como eu bem desejei. Mas me acomodei na impotência, na desculpa da distância geográfica, na transferência da responsabilidade pessoal e intransferível de cuidar de quem se ama, de cuidar do amor por quem se ama, na eterna justificativa de estar afogada em tarefas que nunca acabam. Só que agora, como você talvez dissesse, não é mais hora de chorar pelo que não foi feito, pelo que não deu, pelo que precisava ter sido dito ou feito. Agora é hora de, imitando você, continuar a celebrar a vida. Sendo cada um a seu modo, como você gostava de garantir.

Agora, e aqui, ao meu modo, e com imenso amor, celebro sua vida. Seus dias, sua passagem por essa existência, querida e amada amiga. Sua passagem por minha vida. Passagem relativamente breve. Mas profundamente transformadora. E isso não me vai sair da memória, mesmo se esta pretender um dia me trair. Lembro de tudo, Fran. E sei que sempre vou lembrar. Porque acredito que o amor… o amor é aquilo de que alguém jamais se esquece.

Maria Francisca Cardoso Sampaio (1958-2014)

Maria Francisca Cardoso Sampaio [1958-2014]

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